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sábado, 11 de dezembro de 2010

Noel Rosa - Noel Rosa e A Sua Turma da Vila. Gravações Originais.




E viva a boêmia! Foi assim que o quase médico Noel Rosa viveu seus 26 anos, com seu cigarro entre os dedos, frequentando botequins, cabarés e compondo seus imortais sambas que até hoje estão presentes em nossas vidas.

Em Noel e a sua Turma da Vila, ouvimos gravações originais, a grande maioria das músicas cantadas pelo próprio Noel como Mulata Fuzarqueira, Conversa de botequim, e outras músicas pela turma de interpretes que sempre o elevou as alturas, entre eles Aracy de almeida!

Apreciem, Noel e A sua Turma da Vila, gravações originais uma relíquia! 



Tracklist
1- Conversa de Botequim
2- João Ninguém
3- Arranjei um Fraseado
4- Onde Está a Honestidade
5- Provei
6- Você Vai Se Quiser
7- Com Que Roupa
8- Quem Dá Mais
9- Cordiais Saudações
10- Mulata Fuzaqueira
11- Coração (Samba Anatômico)
12- Minha Viola

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Entrevista póstuma com Noel Rosa - O Pasquim






Segue, na íntegra, uma entrevista bastante divertida publicada no "O Pasquim" em maio de 1973. Quem assina é o jornalista Sérgio Cabral. 


Trinta e seia anos depois de sua morte (morreu dia 4 de maio de 1937), procurei Noel Rosa para uma entrevista. 
"Eu não tenho o que dizer. O que você quiser saber está na minha obra", disse ele modestamente. 
O resultado foi esta entrevista. Se não estiver boa, não ponham a culpa exclusivamente no repórter. Afinal o entrevistado não dá entrevista há, pelo menos, 36 anos. 

O PASQUIM - Você, um cara cheio de problemas de saúde, não saía dos bares, bebendo a noite inteira, batendo papo etc. 
NOEL ROSA - Saber sofrer é uma arte. E pondo a modéstia de parte, eu sei sofrer. 
O PASQUIM - Então você sofreu pra burro. 
NOEL ROSA - Mesmo assim, não cansei de viver. 
O PASQUIM - Mas as mulheres, de vez em quando, faziam você sofrer mais ainda. 
NOEL ROSA - Quem sofreu mais do que eu, não nasceu. 
O PASQUIM - Uma de suas mulheres foi até visitá-lo quando você estava doente. Mas você estava fora. Por que ela foi lá? 
NOEL ROSA - Porque pretendia somente saber qual era o dia que eu deixaria de viver. 
O PASQUIM - Você sofreu várias decepções, mas continuou amando. 
NOEL ROSA - Nunca se deve jurar não mais amar a ninguém. 
O PASQUIM - Quer dizer que você não tem nada contra o amor. 
NOEL ROSA - Quem fala mal do amor não sabe a vida gozar. 
O PASQUIM - Mas você, de vez em quando, fala mal de mulher. 
NOEL ROSA - A mulher mente brincando e, às vezes, brinca mentindo. 
O PASQUIM - Explica isso melhor. 
NOEL ROSA - Quando ri está chorando e quando chora está sorrindo. 
O PASQUIM - Você sabe que se a Betty Friedman o conhecesse teria uma tremenda bronca de você, que é contra mulher trabalhando... 
NOEL ROSA - Todo cargo masculino, seja grande ou pequenino, hoje em dia, é pra mulher. 
O PASQUIM - Mas o que é que atrapalha isso, Noel? 
O PASQUIM - E por causa de palhaços, ela esquece que tem braços. Nem cozinhar ela quer. 
O PASQUIM - Mas os direitos são iguais. 
NOEL ROSA - Os direitos são iguais, mas até nos tribunais a mulher faz o que quer. 
O PASQUIM - Então não são tão iguais assim. 
NOEL ROSA - Pois o homem já nasceu dando a costela à mulher. 
O PASQUIM - Essa história não é bem assim, não. É preciso discutir. 
NOEL ROSA - Mas não quero discussão. 
O PASQUIM - Da discussão sai a razão. 
NOEL ROSA - Mas, às vezes, sai pancada. 
O PASQUIM - Você gosta mesmo é de samba, não é? 
NOEL ROSA - O mundo é um samba em que eu danço sem nunca sair do meu trilho. 
O PASQUIM - Você acha mesmo o samba um troço importante? 
NOEL ROSA - Exprime dois terços do Rio de Janeiro. 
O PASQUIM - Tenho vários amigos que não gostam de samba, querem voar mais alto. 
NOEL ROSA - Mas quem voa em grande altura leva sempre grande queda. 
O PASQUIM - Não fale assim, Noel, os caras podem se chatear. 
NOEL ROSA - O que eu falo é bem pensado. Não receio escaramuça. E que aceite a carapuça quem se sente melindrado. 
O PASQUIM - Assim como você está falando, o que é que quer que pensem de você? 
NOEL ROSA - Que entre nós o páreo é duro. 
O PASQUIM - Mas vão acabar seus inimigos. 
NOEL ROSA - Meus inimigos, que hoje falam mal de mim, vão dizer que nunca viram uma pessoa tão boa assim. 
O PASQUIM - Pelo que vejo, não se pode falar mal do samba perto de você. 
NOEL ROSA - O samba é a corda e eu sou a caçamba. 
O PASQUIM - Você não tem medo de ninguém? 
NOEL ROSA - Sou independente, como se vê. 
O PASQUIM - Independente? Está rico? 
NOEL ROSA - Não consigo ter nem pra gastar. 
O PASQUIM - Ou seja: tá durão. 
NOEL ROSA - Já estou coberto de farrapo, eu vou acabar ficando nu. Meu paletó virou estopa e eu nem sei mais com que roupa eu vou pro samba que você me convidou. 
O PASQUIM - Você não vai porque está com medo dos malandros do samba. 
NOEL ROSA - Não tenho medo de bamba. Na roda do samba, eu sou bacharel. 
O PASQUIM - Como é que é esse negócio de bacharel? 
NOEL ROSA - Quando me formei no samba, recebi uma medalha. 
O PASQUIM - Você vive em tudo que é samba, não é? 
NOEL ROSA - A polícia em todo canto proibiu a batucada. Eu vou pra Vila onde a polícia é camarada. 
O PASQUIM - O samba em Vila Isabel é de noite ou de dia? 
NOEL ROSA - O sol da Vila é triste. Samba não assiste porque a gente implora "Sol, pelo amor de Deus, não venha agora que as morenas vão logo embora." 
O PASQUIM - Mas tem samba em outros lugares, Noel. 
NOEL ROSA - Salve Estácio, Salgueiro, Mangueira, Oswaldo Cruz e Matriz. 
O PASQUIM - E a Vila, como é que fica nisso? 
NOEL ROSA - A Vila não quer abafar ninguém. Só quer mostrar que faz samba também. 
O PASQUIM - Conforme você disse, o samba exprime dois terços do Rio de Janeiro. 
NOEL ROSA - Mas tenho de dizer: modéstia à parte, meus senhores, eu sou da Vila. 
O PASQUIM - Assim não pode, Noel. Com esta banca, é melhor a gente acabar a entrevista. 
NOEL ROSA - Ofereço meu auxílio. Passe bem, vá pela sombra. 
O PASQUIM - Está me mandando embora, Noel? 
NOEL ROSA - Não mandei você embora porque sou benevolente. 
O PASQUIM - Sabe que se você dissesse isso para certos jornalistas, eles entenderiam como um desafio para briga? 
NOEL ROSA - De lutas não entendo abacate. 
O PASQUIM - Ué, eu soube que você já lutou profissionalmente. 
NOEL ROSA - Cheguei até ser convidado para subir num tablado pra vencer um campeão. 
O PASQUIM - E daí, venceu? 
NOEL ROSA - Mas a empresa, pra evitar assassinato, rasgou logo meu contrato, quando me viu de roupão. 
O PASQUIM - E como é que você se vira com esses valentões? 
NOEL ROSA - No século do progresso, o revólver teve ingresso para acabar com a valentia. 
O PASQUIM - Você sabe que Josué Montello... 
NOEL ROSA - Escreve sal com c cedilha. 
O PASQUIM - Pois é. Ele agora é da Academia Brasileira de Letras, junto com o Pedro Calmon. 
NOEL ROSA - Dessa vez, juntou-se a fome com a vontado de comer. 
O PASQUIM - Mas ele têm prestígio por aí, numa certa roda. 
NOEL ROSA - Vassoura dos salões da sociedade. 
O PASQUIM - Você não freqüenta essa roda, não é? 
NOEL ROSA - Você pode crer que palmeira do Mangue não vive na areia de Copacabana. 
O PASQUIM - Vamos falar mal das pessoas. E o Roberto Campos, hein? 
NOEL ROSA - Que é também brasileiro. E em três lotes vendeu o Brasil inteiro. 
O PASQUIM - Sabe que andaram pichando você sob o pretexto de que você é bom de letra mas não de música? 
NOEL ROSA - Sendo as notas sete apenas, mais eu não posso inventar. 
O PASQUIM - Bem, Noel, vamos acabar a entrevista. Adeus. 
NOEL ROSA - Adeus é pra quem deixa a vida. Três coisas vou gritar por despedida: até manhã, até já, até logo. 




AS FONTES
As respostas estão contidas nos seguintes sambas: Eu sei sofrer, de 1937, gravação de Aracy de Almeida; Provei(parceria com Vadico), de 1936, gravação de Marília Batista e Noel Rosa; Nuvem que Passou, de 1932, gravação de Francisco Alves; Você Vai se Quiser, de 1936, gravação de Noel Rosa e Marília Batista; É Preciso Discutir, 1931, gravação de Francisco Alves e Mário Reis; Até Amanhã, de 1932, gravação de João Petra de Barros; Quem Dá Mais, de 1932, gravação de Noel Rosa; Vitória (parceria com Nonô), de 1932, gravação de Silvio Caldas; Fita Amarela, de 1932, gravação de Francisco Alves e Mário Reis; X do Problema, de 1936, gravação de Aracy de Almeida; Com que Roupa?, de 1930, gravação de Noel Rosa; Feitiço da Vila (com Vadico), de 1934, gravação de Noel Rosa e João Petra de Barros; Boa Viagem (com Ismael Silva), de 1934, gravação de Aurora Miranda; Tarzan, o Filho do Alfaiate (com Vadico), 1936, lançado no filme Cidade Mulher por José Vieira; AEIOU (com Lamartine Babo), de 1934, gravação de Noel Rosa e Lamartine Babo; Onde Está a Honestidade?, de 1933, gravação de Noel Rosa; Mais um Samba Popular, de 1937, permaneceu inédito até 1962, quando foi gravado por Ana Cristina.

sábado, 27 de novembro de 2010

Miséria também da samba.




Uma caricatura com excelente fidelidade é o personagem, Zé tamborim de Chico Anysio. Catando  inspiração, perseguindo fatos cotidianos, cantando as mazelas do povo... Tudo era motivo e sem titubear sentenciava a quem quisesse lhe ouvir: “isto dá samba!”.

Na ansiedade de criação ele era capaz de por música, versejar qualquer coisa  que passe em seu caminho.  Estava assistindo um programa na tv fechada quando surgiu este personagem, e fiquei pasmado como se assemelha aos sambistas antigos.
 Ouvindo os “caras” da antiga, mas bem da antiga  mesmo,  me deparei com esse sambinha do João da Baiana, Cabide de mulambo, que alegremente narra o dia a dia dos antigos sambistas:

 ...Meus terno branco parece casca de alho, foi a deixa de um cadáver no acidente de trabalho.  narrando o sofrimento continua dizendo: ...a minha cama é um pedaço de esteira, e uma lata velha me serve de cadeira”.

 Em 1931 vem Noel Rosa com seu samba, Com que roupa  ...já estou coberto de farrapo, meu paletó virou estopa”. E sem choramingar dizia: Vou acabar ficando nu...  Nessa miséria seria impossível ir ao samba que estava sendo convidado, imagina se noel estivesse entre a gente hoje? Nessa crise mundial  não iria mesmo a lapa!

A sagacidade  e sensibilidade do caricatural Zé tamborim com a sua fala repetitiva: “isto dá samba!” ficou provado sem esforços com os nossos dois camaradas ai em cima.  Afinca mais argumentos ao lembrarmos o saudoso Zé Keti, quando ele diz: ...Com o violão debaixo do braço se houver motivos é mais um samba que eu faço...
A grande verdade, é que  para o verdadeiro sambista, aquele que é inteligente,  fluente, tudo, tudo mesmo dá samba. Até miséria! O dormir numa folha de jornal, o terno branco parecendo casca de alho, o paletó virando estopa, tudo dá Samba!

Martinho da vila: Cabide de Mulambo, Gilberto Gil: Com que Roupa e Luiz melodia: Diz que eu fui por ai.


Fonte de pesquisa: O globo 03/12/1977 e o livro  Figuras e coisas da música popular brasileira vol ll

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Poeta da Cidade, Martinho Canta Noel (2010).






O Inesquecível poeta de Vila Isabel é homenageado por Martinho! Não sei se todos já tiveram a oportunidade de escutar esse cd, é um belo trabalho, não que seja uma obra de arte primorosa, mas percebe-se claramente o cuidado com o qual o álbum foi gravado, a maioria das músicas são de autoria do Noel Rosa, evidentemente dando foco ao autor... o cd conta com participações dos novos nomes do samba que se criaram na Lapa, Aline Calixto, Ana Costa, Analimar, Maira, e as filhas do cantor e produtor do disco, Mar’tnália e Patrícia Hora respectivamente.
Atenção especial as músicas, Rapaz folgado resposta de Noel a Wilson Batista em um dos duelos entre o samba do morro e o samba do asfalto. Filosofia, Último desejo e Fita amarela.

Apreciem, Martinho da Vila Canta o Poeta da Cidade, Noel Rosa - 2010


Tracklist
01. Filosofia
02. Minha Vida Part. Mart’nalia
03. E Não Brinca Não
04. Rapaz Folgado Part. Mart’nalia
05. Seja Breve
06. Coisas Nossas Part. Analimar Ventapani
07. Fita Amarela Part. Aline Calixto
08. Três Apitos Part. Patrícia Hora
09. Século do Progresso Part. Ana Costa
10. Quando o Samba Acabou Part. Analimar Ventapani
11. Último Desejo Part. Maira Freitas
12. O X do Problema Part. Aline Calixto
13. Eu Vou Pra Vila Part. Ana Costa
14. Cidade Mulher















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domingo, 24 de outubro de 2010

Martinho, aquele lá da vila de Noel!







Meu destino eu moldei
Qualquer um pode moldar
Deixo o mundo me rumar 
Para onde eu quero ir
Dor passada não me dói
E nem curto nostalgia 
Eu só quero o que preciso
Pra viver meu dia a dia

Ouvir as músicas do Martinho da vila é sem duvidas ouvir a sua história de vida  em melodias, acordes de cavaquinhos e batuques com direito a todas as lembranças  Africanas.
Letras como disritmia, casa de bamba, renascer das cinzas, tom maior e pra que dinheiro remete a um carismático, mulherengo e acima de tudo um Martinho otimista. Tipicamente carioca!

Martinho da vila, O pequeno Burguês, bom cd/dvd, eu tenho e recomendo! Histórias sobre a GRES Vila Isabel, aventuras e desventuras dos seus 70 anos de vida regada a samba, Campari e risadas!

No fundo, no fundo todos nós temos certeza que o Martinho da Vila não precisa se escorar no seu passado de glória, pois ainda há inspiração para futuros sambas. A história continua.


Escute o cd:


















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sábado, 23 de outubro de 2010

Noel, Poeta da Vila? Poeta da Vida!





Boa Noite!

Grande Noel Rosa, o que seria do samba sem ele?  Ainda bem que não virou doutor e levou o samba pro asfalto. Suas músicas, letras bem temperadas, um verdadeiro boêmio! Sem duvidas ele era!  Tudo bem que custou muito caro tudo isso, mas o que não tem preço hoje em dia?  

Memoráveis batalhas musicais com Wilson Batista, a Vila não veio abafar ninguém.... Se estivesse vivo, o sambista completaria em Dezembro 100 anos!

Por mais que você nunca tenha prestado atenção nas suas músicas e histórias, Aqui vai uma boa pra você se familiarizar sobre o poeta da vila.

O Programa Sarau, exibido no canal por assinatura Globo News (quem tem gato net também consegue ver) vai exibir nos dias 03 e 10/12 às 23:30 o programa sobre o assunto e tem um filme sensacional chamado Noel, Poeta da Vila, ano 2006, direção de Ricardo van Steen, Eu vi, muito Bom o filme!!  

Dá uma olha no trailer do filme:




Dá uma olha no trecho do Documentário “ Paulinho da Viola, Meu tempo é hoje” ele canta Filosofia, música de Noel Rosa!