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sábado, 12 de novembro de 2011

No Intervalo do Samba: Tropicalia ou Panis Et Circencis- (1968).







O Tropicalismo foi um movimento de ruptura que sacudiu o ambiente da música popular e da cultura brasileira entre 1967 e 1968. Seus participantes formaram um grande coletivo, cujos destaques foram os cantores-compositores Caetano Veloso e Gilberto Gil, além das participações da cantora Gal Costa e do cantor-compositor Tom Zé, da banda Mutantes, e do maestro Rogério Duprat. A cantora Nara Leão e os letristas José Carlos Capinan e Torquato Neto completaram o grupo, que teve também o artista gráfico, compositor e poeta Rogério Duarte como um de seus principais mentores intelectuais.

Os tropicalistas deram um histórico passo à frente no meio musical brasileiro. Ao unir o popular, o pop e o experimentalismo estético, as idéias tropicalistas acabaram impulsionando a modernização não só da música, mas da própria cultura nacional.

Sincrético e inovador, aberto e incorporador, o Tropicalismo misturou rock mais bossa nova, mais samba, mais rumba, mais bolero, mais baião. Sua atuação quebrou as rígidas barreiras que permaneciam no País. Pop x folclore. Alta cultura x cultura de massas. Tradição x vanguarda. Essa ruptura estratégica aprofundou o contato com formas populares ao mesmo tempo em que assumiu atitudes experimentais para a época. Discos antológicos foram produzidos, como a obra coletiva Tropicália ou Panis et Circensis.

                                                                                                                                        
Charles Gavin conversa com personagens que, de alguma forma, fizeram parte do lendário disco de 1968.

Irreverente, a Tropicália transformou os critérios de gosto vigentes, não só quanto à música e à política, mas também à moral e ao comportamento, ao corpo, ao sexo e ao vestuário. A contracultura hippie foi assimilada, com a adoção da moda dos cabelos longos encaracolados e das roupas escandalosamente coloridas.
O movimento, libertário por excelência, durou pouco mais de um ano e acabou reprimido pelo governo militar. Seu fim começou com a prisão de Gil e Caetano, em dezembro de 1968. A cultura do País, porém, já estava marcada para sempre pela descoberta da modernidade e dos trópicos.

Apreciem, Tropicalia ou Panis Et Circencis (1968)



















Tracklist
1- Misere Nobis (Capinan, Gilberto Gil)
2- Coração materno (Vicente Celestino)
3- Panis et circenses (Caetano Veloso, Gilberto Gil)
4- Lindonéia (Caetano Veloso)
5- Parque industrial (Tom Zé)
6- Geléia geral (Gilberto Gil, Torquato Neto)
7- Baby (Caetano Veloso)
8- Três Caravelas (Las tres carabelas) (E.Moreu, A.Alguerô Jr.)
9- Enquanto seu lobo não vem (Caetano Veloso)
10- Mamãe coragem (Caetano Veloso, Torquato Neto)
11- Bat macumba (Caetano Veloso, Gilberto Gil)
12- Hino ao Senhor do Bonfim (Petion de Vilar, João A. Wanderley)

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sábado, 27 de novembro de 2010

Miséria também da samba.




Uma caricatura com excelente fidelidade é o personagem, Zé tamborim de Chico Anysio. Catando  inspiração, perseguindo fatos cotidianos, cantando as mazelas do povo... Tudo era motivo e sem titubear sentenciava a quem quisesse lhe ouvir: “isto dá samba!”.

Na ansiedade de criação ele era capaz de por música, versejar qualquer coisa  que passe em seu caminho.  Estava assistindo um programa na tv fechada quando surgiu este personagem, e fiquei pasmado como se assemelha aos sambistas antigos.
 Ouvindo os “caras” da antiga, mas bem da antiga  mesmo,  me deparei com esse sambinha do João da Baiana, Cabide de mulambo, que alegremente narra o dia a dia dos antigos sambistas:

 ...Meus terno branco parece casca de alho, foi a deixa de um cadáver no acidente de trabalho.  narrando o sofrimento continua dizendo: ...a minha cama é um pedaço de esteira, e uma lata velha me serve de cadeira”.

 Em 1931 vem Noel Rosa com seu samba, Com que roupa  ...já estou coberto de farrapo, meu paletó virou estopa”. E sem choramingar dizia: Vou acabar ficando nu...  Nessa miséria seria impossível ir ao samba que estava sendo convidado, imagina se noel estivesse entre a gente hoje? Nessa crise mundial  não iria mesmo a lapa!

A sagacidade  e sensibilidade do caricatural Zé tamborim com a sua fala repetitiva: “isto dá samba!” ficou provado sem esforços com os nossos dois camaradas ai em cima.  Afinca mais argumentos ao lembrarmos o saudoso Zé Keti, quando ele diz: ...Com o violão debaixo do braço se houver motivos é mais um samba que eu faço...
A grande verdade, é que  para o verdadeiro sambista, aquele que é inteligente,  fluente, tudo, tudo mesmo dá samba. Até miséria! O dormir numa folha de jornal, o terno branco parecendo casca de alho, o paletó virando estopa, tudo dá Samba!

Martinho da vila: Cabide de Mulambo, Gilberto Gil: Com que Roupa e Luiz melodia: Diz que eu fui por ai.


Fonte de pesquisa: O globo 03/12/1977 e o livro  Figuras e coisas da música popular brasileira vol ll