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quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Rogê - Fala Geral (2010)




O SUINGUE SEM ÁLIBI DE ROGÊ

O título deste terceiro disco solo de Rogê já nos oferece a abertura necessária para entendermos o que é a sua música. Fala Geral designa, num primeiro plano, sua vontade de transitar por um amplo território, pelo espaço geral que é o da música brasileira, notadamente o samba, mas não apenas. É assim que Rogê vai da bossa nova ("Fala Brasil") ao samba de exaltação ("Mapa da Lapa"), do sambalanço ("A nega e o malandro" e "Minha princesa") ao samba reflexivo ("Amor à favela"). E ainda vai além - ou aquém - passando por jongo ("Meu bem volta logo"), ponto de terreiro ("Tempo virou"), um insuspeitado transafoxé ("São Geraldo") e o não tão próximo culturalmente reggae ("Mãe natureza", "O guerreiro segue"), embora a origem africana seja a mesma. Por todos esses territórios rítmicos Rogê vai passando e deixando que falem por ele, através dele. Álibi é um caso e outro quando a arte recorre a algo exterior a si própria para fundar seu valor. Pois bem, no disco de Rogê não se vai encontrar esse expediente. A música de Rogê é sem álibi. O suingue é que é a prova dos nove. Daí ele passear sem assombro da bossa nova ao gênero desprestigiado do sambalanço, que ele realiza de forma contagiante, "deliciante". É só tocar pra começar o baile.

Retorno ao título do disco. A fala remete ao traço mais definidor das canções de Rogê: são canções da realidade, do concreto, da vida candente do cotidiano.
Desse princípio decorrem muitos traços da música de Rogê. As letras que ele canta são diretas, as palavras são coloquiais, há muitas gírias. A sintaxe é também sempre direta (compare-se, a propósito: os letristas-escritores tendem a usar uma sintaxe mais indireta, frases subordinadas, pois pertencem ao mundo da língua, mais que da fala). Os verbos e os substantivos concretos são os alicerces das letras. Estamos no plano da ação e da horizontalidade absoluta.

Se toda arte revela necessariamente um princípio ético, Rogê não deixa dúvidas quanto ao seu: justamente, não há em suas canções grandes dúvidas, angústias, reflexões.
Rogê ampliou sua geografia urbana, estética e existencial, escolheu o samba e os sambistas como quem escolhe uma cidade para morar. O suingue que corre na veia de cada canção desse disco comprova a verdade dessa escolha.

Por Francisco Bosco.


Apreciem, Rogê Fala Geral- 2010



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2 comentários:

Rafhael Vaz disse...

Gosto do trabalho do Rogê.
Ótimo post!!
Baixando!!

Zac Ramos disse...

Rogê é muito bom! tb gosto! aprecie! abraços!